| O
departamento de Ilustração / Banda Desenhada do Ar.Co
tem vindo a desenvolver um trabalho pedagógico continuado na
área da ilustração editorial de imprensa e a colaborar,
neste âmbito, com várias revistas e jornais.
Grande parte deste trabalho centra-se na compreensão e aprendizagem
dos mecanismos criativos e técnicos relacionando imagem e palavra
de forma directa ou metafórica, produzindo uma expressão
autoral.
Os trabalhos aqui impressos foram desenvolvidos no contexto do curso,
subordinaram-se ao tema geral da Colecção
Reticências, foram acompanhados pelos formadores e apresentam-se
ao público como objectos finalizados com competência gráfica
e autoral.
Jorge
Nesbitt
Responsável | Departamento de Ilustração e Banda
Desenhada | AR.CO
BLOG
Ilustração | BD
Notas tópicas sobre ideias utópicas.
1. As utopias fascinam. O fascínio é feito de ignorância,
pelo menos parcial. Prefiro considerar as utopias, todas elas, com Cioran,
uma forma de ingenuidade, se não mesmo de loucura. A faculdade
que se lhe deve votar é antes o cepticismo. Independentemente
da mais corrente das atitudes.
2. A mais antiga utopia, e que se encontra permanentemente no passado,
é o do jardim fechado, o paraíso terrestre
que abandonámos; a Idade de Ouro, Atlântida, o ventre materno,
são suas variações. As mais recentes, que vieram
com a modernidade, apontam ao futuro, um futuro qualquer, e podem revestir-se
do mais maleável e fantástico dos plásticos e tecnologias
tanto quanto retornar a um estado da Natureza (que jamais existiu):
expressa-se nos mais diversos graus de natureza política (-ismos.1)
ou artística (outros ismos.2). O facto de poder dizer utopias
e inventariar seus autores esbate a força de cada uma.
3. A própria palavra parece prometer um lugar cuja única
certeza que nos oferece é que não é aqui
Impelindo-nos, portanto, a um movimento de viagem ou a um gesto de construção.
Bebendo dos ícones de ambos os tipos de ismos referidos
acima, Oscar Martinez expressa esse estímulo, com um grão
de sal de ironia.
4. A faceta brilhante da utopia é permitir ver e pensar para
além das coisas tal qual elas são, ou seja,
não aceitar sequer a possibilidade das coisas serem alguma coisa
de certo. Assim, podemos imaginá-las (torná-las imagem)
como cidades visíveis ou ocultas, ilhas de meios-dias ou Laputas,
enseadas amenas ou portos blindados, terras do Nunca: Joana Silvestre
contorna-as a lápis.
5. De utopia deriva eutopia - boas utopias, que se confunde
com o primeiro termo, sede do que passou, plano para o que virá
- e distopias - más utopias, quer as da ficção
quer as que se vieram a provar por terem sido implementadas (novamente
os ismos, mormente os .1); são as terras do Nunca-mais-outra-vez
ou do Esperemos-que-nunca: Tiago Martins, daprés Huxley,
ilustra-as, falsamente felizes.
6. Se não é aqui, mas ali, tem de haver melhores galinhas
no campo da vizinha. Simples variação do João-que-ri
e João-que-chora, Vasco Martins mostra que, de facto, rir não
só é o melhor remédio como mais vale um riso no
ar do que dois chorares na mão.
7. De todas estas topias, há ainda as heterotopias, espaços
outros (Foucault). A banda desenhada e a ilustração,
por viverem um tanto ou quanto fora do círculo maior do diálogo
das artes não por fraqueza sua, mas por falta de rigor
do olhar ecuménico dessas mesmas artes -, acabam por se constituir
numa heterotopia, um alhures no qual ainda se podem experimentar determinadas
linguagens que se têm afastado de outros meios (a emoção,
a figuração redonda, a plena narrativa), e também
no qual já se procuram efectivar conceitos inalcançáveis
por agora (corpos perfeitos, sociedades futuras, ciências livres,
deslimitação de praticamente tudo, a fantasia na rua).
8. Maria Imaginário abre espaço a esse espaço:
sob a ilusão de pequeno conto para os mais pequenos, o delicodoce
imaginário oculta qualquer coisa de mais negro, de podre, de
esquisito, ainda que não saibamos o quê.
9. Aviso à navegação: muitos se preocupam e querem
impedir o 1984, de George Orwell, de acontecer. Não há
problema, é impossível realizar-se. Já O Admirável
Mundo Novo, de Aldous Huxley, é que já vingou. CCTV, chip
e Cartão de Cidadão. Fia-te na virgem e não corras.
Pedro
Moura
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Oscar
Martinez, nascido em 1972, vive e trabalha em Barcelona.
Estudou na escola Massana em Barcelona e frequentou recentemente o curso
de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co. Publicou o seu
trabalho em revistas como EADA view e Barcelona Educacio.
Em 2006 ganhou o primeiro prémio de desenho de letra num concurso
promovido pelas empreses Tria e Letraset. Em 2007 ganhou o concurso
de ilustração para a publicação de um poster
com o tema " La setmana de la Ciencia" para a Fundação
ICREA.
Joana Silvestre, nascida
em 1982, vive e trabalha em Lisboa. Fez a António Arroio no Curso
Geral de Artes, desenvolveu trabalho no Atelier de Pintura. Presentemente
encontra-se a estudar no Ar.Co, Centro de Arte e Comunicação
Visual, a concluir o curso de Ilustração e Banda Desenhada.
Tiago Martins, nascido
em 1986, vive na margem Sul e trabalha em Lisboa. Publicou recentemente
ilustrações na revista Cais e na agenda de 2008
do Alto Comissariado para a Imigração. É finalista
do curso de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co. Participou
na exposição de ilustração para a Infância
do Ar.Co na edição do concurso Ilustrarte de 2007.
Maria Imaginário,
nascida em 1986, vive e trabalha em Lisboa. Publicou por diversas vezes
ilustrações na Revista Cais, recentemente publicou
ilustrações na Agenda de 2008 do Alto Comissariado para
a Imigração. Desenvolveu um projecto de publicidade para
o Oceanário de Lisboa através da Agência Lowe, fez
a capa da Agenda Cultural da Lecool. Realizou uma exposição
na Galeria Work & Shop intitulada "Lar Doce Lar. É finalista
do curso de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co.
Vasco Costa Martins, nascido
em 1981, vive e trabalha em Lisboa. É arquitecto, faz banda desenhada,
ilustração e cartoon fora de horas, tendo esse trabalho
sido reconhecido com o primeiro prémio do FIBDA (Amadora) em
2007, e com menções honrosas no Concurso Virus BD (Leiria)
e no 16º Salão Internacional de Desenho para Imprensa de Porto
Alegre (Brasil) em 2008. Frequenta o último ano do curso de Ilustração
e Banda Desenhada do Ar.Co. |