"Desenhar um país a alta velocidade
“ O País a régua e esquadro” é um belo e oportuno livro onde vida e obra de Duarte Pacheco são fixadas a partir de uma investigação apostada em fazer a “anatomia de um mito”.
Resultado do estudo que Sandra Vaz Costa elaborou no quadro da sua dissertação de doutoramento apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que tive o grato prazer de orientar em colaboração com a Professora Maria João Neto, esta obra representa o culminar de um longo trabalho de investigação .
Partindo de alguns trabalhos anteriores e ampliando o conhecimento da personagem Duarte Pacheco, Sandra Vaz Costa desfaz e refaz o mito do trabalhador incansável, do estratega voluntarioso, do politico sagaz, do engenheiro empenhado na transformação do seu país, do ministro desassombrado em estado de vertigem apaixonada pela modernização.
Considerando o “tempo e o modo” de Duarte Pacheco e identificando o seu método de trabalho em áreas tão diferentes e tornadas tão próximas quanto a direcção do Instituto Superior Técnico (IST), da Câmara Municipal de Lisboa, do Ministério da Instrução Pública e do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, com este trabalho o legado do politico surge numa nova perspectiva graças ao acesso a documentação inédita tratada com a sagacidade e a vivacidade de uma investigadora informada capaz de criar uma rede sólida para suportar uma consequente e estimulante interpretação dos dados.
Desde o ano de 1925, quando Duarte Pacheco inicia a sua actividade como docente no IST até à data da sua morte, 18 anos depois, Sandra Vaz Costa questiona a ascensão meteórica do professor, que se lançou na empresa da construção das tão desejadas e reclamadas novas instalações, abrindo um capítulo novo na história do IST, de Lisboa e do país. Construção de uma história feita com qualidade prospectiva, movida pelo desejo de compreender a profundidade, alcance e actualidade da acção política de Duarte Pacheco, a autora analisa uma acção política que busca sentido na ideia de ciência aplicada ao serviço do bem-estar público, e por isso, apostada na modernização de um país.
No ano em que se comemora o centenário da criação do IST, a publicação deste livro pela IST Press constitui uma iniciativa editorial da maior importância para a necessária construção de uma história operativa, porque, apostada numa visão de futuro do país."
Ana Tostões
Instituto Superior Técnico
Presidente DOCOMOMO Internacional
Este livro aborda a Obra Pública empreendida por Duarte Pacheco e tem como principal objetivo contribuir para a clarificação do processo de conceção e concretização de todo um programa coordenado pelo político de 1925 a 1943. Referenciando o universo de estudo ao Urbanismo, Arquitetura e Memória Patrimonial no contexto português ao longo do período considerado, e com base na sua aplicação a seis estudos de caso, analisa-se no legado do político a relação entre o decreto, o projeto e o concreto. Considerando o modo de atuação de Duarte Pacheco e identificando o seu método de trabalho em áreas tão distintas quanto a direção do Instituto Superior Técnico, a Câmara Municipal de Lisboa, o Ministério da Instrução Pública e o Ministério das Obras Públicas e Comunicações, a obra de Duarte Pacheco surge numa nova perspetiva, possível através da recolha de uma parcela importante de informação, que clarifica o tempo, o modo, os serviços e os agentes que, no espaço de dezoito anos, modificaram a paisagem do país. |
SANDRA VAZ COSTA, doutorada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é investigadora do Instituto de História da Arte da mesma Faculdade (IHA - Centro de Investigação) e técnica do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (Igespar,I.P). Autora e coautora de títulos e artigos científicos no âmbito da História da Arte, da Arquitetura, das Cidades e das Instituições, desenvolve investigação no âmbito do território, desenho urbano e produção arquitetónica portuguesa dos séculos XIX e XX. No desempenho das suas funções técnicas desenvolve ações de investigação, salvaguarda, e divulgação patrimonial, tais como rastreios e estudos, exposições, edições, encontros e comunicações. |